segunda-feira, 26 de maio de 2008
La semana de vacaciones ou La vuelta a latinoamerica en un pliz-plaz
domingo, 27 de abril de 2008
Foi Bonita a Festa, pá!







quarta-feira, 9 de abril de 2008
Noroeste Andino III

Iruya será provavelmente o último destino antes do regresso a Buenos Aires.



O pôr-do-sol desenha com traço fino e perfeito as silhuetas das montanhas, das colinas e dos animais que prodigiosamente vivem nos seus cumes.

Uma espécie de nó na garganta que se alastra até ao peito.
Sabia que ainda teria pela frente, pelo menos mais duas horas ( isto se conseguissémos chegar.... o que a desaustinada condução deste jujeño louco me fazia duvidar...).
O caminho para Iruya é um arrepiante caminho através do nada para chegar a parte nenhuma.
Subimos. Não sei a que altitude estamos mas sei que estamos cá em cima. Principalmente os meus ouvidos dizem-me que estamos muito alto.
A toda a velocidade, este velho autocarro passa empedrados, estradas estreitas, curvas muito apertadas, riachos, caminhos da Idade da Pedra, improváveis ladeiras...
Fecho os olhos.
A barriga também dá o seu alerta. Acho que pela primeira nesta viagem sinto medo.
Até considero que aqui a patanisca é meia destemida.... mas desta vez e falando em bom castelhano, está "cagada de miedo!".
E só me vinha à cabeça uma frase que o meu pai costuma repetir algumas vezes: " Deus proteje os audazes", mas na minha cabeça não soava como um provérbio, era um desejo, uma prece, uma súplica...
Noite cerrada. De vez em quando faço algumas investidas ao telemóvel para checkear horas.
Não se vê qualquer luz, nem nenhum sinal de proximidade com nada e muito menos qualquer vestígio de Iruya.
E enquanto a respiração se corta e o coração se acelera, a música que me fazem ouvir não podia ser menos consensual com o meu estado interior - o pimba do cantor romântico argentino, que antes até passava despercebido, arranha os meus ouvidos com a seguinte letra " Ai mi amor, quedáte comigo como una cachorrita"....
E tenho sede, fome, frio e só me apetece gritar: " já não quero brincar mais.... quero a minha mãe e o meu pai!!".
Depois do queixume infantil, vem o monólogo interior, o sub-texto auto-flagelador. Falo para mim, falo contra mim, com pensamentos num castelhano bem argentino:
- Porqué sós tan boluda, Cláudia??Que siempre te pasan estas cosas, y te pasan por colgada que eres!!Que no aprendes nunca chiquilla??
E desanco a meu lado aventureiro e às vezes tão irresponsável.
E já não sabia se o pior era o estar nas mãos deste desvairado condutor, qual Ayrton Senna dos pobres ou o suplício de ter de aguentar a música mais pirosa do mundo.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Petrouhé, Petrouhé.. Osorno à vista!
Puerto Varas está longe de ser a cidadezinha de pescadores que nos falaram. Das duas uma: ou os pescadores de Puerto Varas enriqueceram muitíssimo e agora todos têm casas de luxo ou trata-se de uma estância veraneante onde a burguesia Santiaguina vem passar férias. E eu fico-me mais pela segunda hipotése.
Por essa razão decidimos escapulir-nos para outro lugar mais afastado da turba turística.
E ao entrar na baía de Petrouhé, recordo os versos desse grande cançonetista lusitano:
A sensação de subir um vulcão é.... é de díficil descrição!

Rendidas e sem qualquer hipotése de fuga, fingimos perder o último micro para Puerto Varas, (onde, aliás tinham ficado todas as nossas coisas), ligamos para o hostel para fazer o choradinho das desgraças perdidas que não conseguiriam regressar hoje, e fizemos figas para conseguir um "poiso" para pernoitar.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Escala na Costa Atlântica
A paisagem muda. Estamos na província de Chubut, mais árida, mais desértica. A cor das montanhas passou de várias tonalidades de verde para se converter em planícies amareladas e infinitas.
07h da manhã - Chegada a Comodoro Rivadavia, a cidade do petróleo.
Um nascer-do-sol impressionante espera-nos no novo destino. Na verdade mais do que um destino, é uma escala. Com a luz do amanhacer, desvaneceria também a impactante magia daquele momento e esperava-me uma cidade feia, suja, industrial e pouco simpática.
Despeço-me do Pol. Na verdade é um "até já". Tenho a certeza que nos encontraremos noutra parte qualquer do planeta, como viajantes errantes que sorriem às coindências e aos encontros inesperados em lugares imprevisíveis. Há 10 dias que viajamos juntos.
Escapo o mais rapidamente que posso da cidade que cheira a petróleo e vou em direcção a Rada Tilly, visitar uma reserva de lobos marinhos.
Infelizmente a falta de bateria da máquina boicotou as expectativas de "roubar a alma" às centenas de lobos marinhos aqui estacionados.
Cada vez são mais os lobos que vem para este lugar em busca de alimento. O guia explica-me que é precisamente por isso que em mais ou menos 10 anos, a quantidade de lobos marinhos aumentou de 470 para 1700.
Explica-me montes de coisas sobre os lobos, sobre o ciclo de reproduçao, hábitos e alimentação.
Explica-me que esta não é uma zona de reprodução, e que nessas zonas entre dezembro e janeiro, se pode ver uma grande concentração de lobos.
Durante este processo, os machos estao muitíssimo atentos para não perder as suas fêmeas, o seu harém de vista, porque à mínima distraçao, zás... vem outro macho e rapta a donzela!
Eram apenas 5 kilométros da reserva até Rada Tilly e pensei que ir a pé constituiria um lindo passeio.
Terra do Fogo, cá vamos nós!!!
Hasta siempre... Viajeros!
Na Casa del Viajero fala-se em várias línguas, de tudo e de nada , de filosofia gastronómica, de Epicuro e de Hedonismo.
O Lévy é americano e vive aqui há dois meses, o Mico é filandês, a Muni alemã e a Anne também, a Heidi inglesa, o Pol catalão, a patanisca lusa e chegou hoje um casal suiço.
Sentada na esplanada da Heladaria Artesanal de El Bolsón, disfruto dos últimos minutos antes de continuar a minha odisseia para o sul do Sul.
Aqui neste sítio onde me apeteceu demorar uns dias, criar raízes e "chamar casa a esse lugar"...
Sair de El Bolsón custa. Custa porque ganhei uma família, porque a comunhão e a partilha é sempre algo especial, raro e único!
O Salvador e o Alex vêm despedir-se de nós. O Nahuel e o Augustí dizem-nos adeus.
- Chicos, no olvidarvos que podéis siempre volver a vuestra casa, a vuestra familia!
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
À descoberta da Comarca Andina
Para ir para o Lago Puelo que está a 20 kms de El Bolsón, passa-se pelo Paralelo 42, onde acaba a província de Rio Negro e onde começa a de Chubut.
Do lago Puelo avista-se, e não muito longe, algo que já nos extremamente familiar: um glaciar. Ainda assim é incrivel e impressionante como pode ser que o calor imenso que se vive no lago possa conviver com os glaciares....
Já no dia seguinte a excursão ao Cajón Azul foi mais custosa: muita poeira, muito sol, muita subida. O protector solar e o pó formam no corpo uma capa pegajosa e melosa que faz com que a pele tenha difildade em respirar ( e eu própria!!).
Convenhamos que este grupio excursionistia tem muita boa onda mas é completamente destrambelhado e não teve em conta que o passeio coincidia com a hora de maior calor.
Depois de 15 kilometros neste registo e de subida íngreme pura e dura, paramos no rio.
Ahhhh.....aqui sim está-se bem!!!
Bem, na verdade a água está um gelo, o que já seria de imaginar uma vez que estamos a 7 kms de um glaciar. Ainda assim com o calor que está, a banhoca é imprencindível.
Passamos por uma ponte movediça, que tem mais de movediça do que de ponte, e enquanto atravesso cautelosamente a ponte à qual lhe falta já vários pedaços de madeira, penso nos filmes do Indiana Jones. E lembro-me que quando atravessavam uma ponte precária deste género, era certo e sabido que se partiria algum bocado de madeira, ficando a Indiana girl suspensa e em perigo! Como não me parece que haja aqui nenhum Dr. Jones para salvar a patanisca, mais vale ter muito cuidadinho....
Cansados e arrasados fizemos o caminho de volta. Para além disso, eu levava também na perna (mais exactamente na virilha) um recuerdo de uma vespa!
Apesar de ser um pueblito, El Bolsón tem muita e variada oferta.
A primeira experiência seria fazer um Banho de Gong, uma experiência esotérico-espiritual. O Banho de Gong é ua espécie de viagem sonora que faz com que o corpo e a mente atinjam um estado muito parecido de quando dormimos, e que nos leva à inconsciência e ao relaxamento total e absoluto.
A Feria dos Artesanos realiza-se 3 vezes por semana e é uma das maiores e mais importantes feiras da região.
Depois da visita pela Feria, pic-nic-amos no jardim, onde uma personagem saída não sei muito bem de que filme aparece-nos em forma de show. Frekeast show, mais exactamente.
A personagem teria cerca de 40 anos (pode ser menos.... mas nota-se que estranhas substâncias ingeridas em grande quantidade lhe tolheram um pouco as ideias). E começa, anunciando solenemente o nome da companhia:
- Circo-teatro-movie apresenta: El grande show de El Bolsón!
Oh my God, it's the end of the world!!! - evoca. E vários pinos seguidos.
(Tentar explicar como é a pronúncia deste ser a falar inglês é tem o mesmo grau de complexidade do que tentar traduzir a palavra "saudade" a qualquer estrangeiro.)
Avisa-nos logo que este é um dos melhores shows de El Bólson;
- El mío y el del francés -acrescenta.
À continuação anuncia:
- Ahora me voy a liberar en un movimeiento anti-global. Number 2: now I'm going to turn around like the crazy world !
E começa a mexer a barriga de uma forma frenética e de tal forma impressionante que parece que a barriga vai sair do corpo.
- Dio Santo... que schifo! - exclama o Pepe.
Ele é a personagem de El Bolsón.
De facto um dos melhores espectáculos que vi foi em El Bolsón mas obviamente não foi este. "Parece ser que me fue", um solo de clown concebido e interpretedo por Marina Ballestero.
Aquele tipo de espectáculo que gostaríamos de ter sido nós a fazê-lo. Lindo, poético, profundo.
- No lo puedo creer!!! El mundo es un pañuelo!"
(na língua de Camoes significaria que o "mundo é uma ervilha",ou seja é muito pequeno!)
Digo isto porque acabo de encontrar aqui em El Bolson, o Dario, um amigo argentino que conheci em Paris. Depois disso voltamos-nos a encontrar perto de Aurillac, num curso de clown e há três anos que não nos viámos. Abraço. Conta-me que está aqui porque amanhã vai fazer espectáculo, que a propósito decorre dentro da programação do Festival de Clown! Prometo-lhe que irei vê-lo.
Chamem-lhe coincidências...

A herança hippie no centro da comarca Andina faz-se sentir em pequenas coisas: minis-festas transe em bosques escondidos, beber cerveja artesanal, experimentar banhos de Gong e outras coisas que tal, casas que em vez de se chamarem Vivienda Hernandéz se chamam Navol Paoli.
Aqui onde o parque de automovéis é muito parecido com uma sucata... carros sem capot, sem mala de trás, sem nada... mas andam!!!Aqui onde se vive com calma e com buen rollo.
Hoje grande festa na casa dos viajeros. Organiza-se paella de verduras, tortilla de patatas, guacamole, pan tomaquét.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Saindo de Néuquen, em direcção ao Sul!
Foto da Ruka - coordenação das Organizaçoes Mapuches em Néuquen
Eu e os meus companheiros de viagem: Pol, Joana (esq.) e Liliana (dta)
Talvez não seja a visita mais óbvia quando se está na Patagónia, mas a verdade é que é uma fábrica com muita história. Chamam-lha a Fábrica dos Trabalhadores, ou Zanon ou FasinPa.
Fundada em 1980 pelo empresário Zanon ( um dos 100 empresários mais ricos da Argentina) esta fábrica de cerâmica foi ocupada pelos trabalhores,quando Zanon em 2000 (um ano antes da crise argentina) resolve fechar a fábrica, justificando falência.
Hoje em dia constitui um modelo de gestão dos operários e funciona como cooperativa. No entanto foram (e são) muitas as dificuldades e confrontos que tiveram que passar.
San Martin de los Andes parece a Suiça. casinhas de madeira, lojas de chocolate, tudo muito lindo, muito limpinho...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Rumo a Néuquen
A verdade é que o conceito de "autocarro" que tem os argentinos é muito diferente do nosso. Para começar aqui chama-se micros e são de grande qualidade.
Os comboios são praticamente inexistentes já que a maioria das linhas férreas foram desactivadas porque reprentavam um serviço que o estado considerava demasiado caro. Assim que todas as viagens neste país que parece não ter fronteiras e não acabar nunca, se fazem de autocarros.
E devo dizer que a Continental Airlines teria muito a aprender com a Via Bariloche. Aliás todas as companhias de aviação do mundo teriam muito que aprender com as empresas de autocarros argentinas. Principalente na parte do cathering.
Falo este entusiasmo porque acabo de me deliciar com uma fantástica lasanha de carne e vegetais!
Ao meu lado viaja uma senhora com a filha que deve ter três ou quatros anos. Está excitadissíma com tudo: a almofadinha, a manta polar,o tabuleiro, os talheres, a salada fria, o pudim, la dulce de leche, os assentos que se inclinam e fazem quase uma cama. Eu estou muito mais excitada do que ela com todas estas novidades e comodidades, a única diferença é que estou caladita.
Depois da fantástica refeição reclinar a cadeira completamente e dormir enroladinha na manta.
(nota- as mantinhas polares são indispensáveis porque os argentinos tem uma relação doentia com os ares condicionados e faz un frio que te cagas no micro!)
Estou com um grande débito de horas de sono. Ontem insónias. Para além do mais, o hostel estava en fiesta! A Ludmila fazia anos e havia muita animação, cerveja, empanadas e argentinos e mexicanos que ocupavam um grande espaço sonoro. Saí à francesa da festa, porque quando tentei despedir-me, começaram a cantar, gritando: "que la portuguesa no se vaya!"
São 9h da manhã e estamos quase a chegar a Néuquen. Entro na mítica região patagónica.
Antes de apanhar o autocarro fui deixar algumas malas (tenho mesmo de aprender o conceito de travel light...) e beber um mate frio na casa da Maru, o meu anjo da guarda argentino. Está com um baralho de cartas osho-zen. Diz-me para tirar uma. A consciência. Está relacionada com viagens. Viagens do conhecido para o desconhecido, viagens do desconhecido ao incogniscível. Curioso...
Lá fora a paisagem desértica.
A menina que viaja ao meu lado começa a ficar impaciente. Eu também. Ela canta e eu escrevo.
O Pol está à minha espera na estação. Mesmo neste imenso país consigo sentir que o mundo é pequeno. É incrível reecontrar este meu amigo catalão aqui, na Patagónia! Sorrio com estas agradáveis coincidências da vida.
Explica-me que ele e a Joana estão à dois meses a viajar pela Argentina e que agora estão a ficar num centro de coordenação dos Mapuches de Néuquen. Houve festa ontem e quando chegamos todos estavam com cara de ressaca. Falam-nos do trabalho que realizam na defesa da cultura Mapuche, quase toda dizimada no secúlo XIX.
Oiço. Tento absorver tudo. É muita coisa, principalmente muita coisa nova.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Che Buenos Aires!!!
Acabei de chegar de una cenita em casa da Barbara, uma amiga da Maru.
A fluidez dos encontros e a boa onda das pessoas com que vou estando parecem abençoar-me.
A família da Barbara é divina, as histórias amorosas da Lucile, irmã da Maru, são empolgantes, e o Pedro, um brasileiro de São Paulo, e o Mariano vieram juntar-se à festa.
Estoy rebien! Soy una re-pelotuda! (...e divirto-me a repetir a gíria argentina, numa tentativa de ser menos gringa...)
Ontem estive até às tantas no hostel Che, que foi a casa da minha amiga Ilda, a falar com os seus amigos. Ildinha, mi amor, tenho a informar-te que todos te estrañan un montón e a Bea assim que viu disse-me " Tu di-le a tu amiga que estoy muy enojada con ella. Me ha dicho que volveria, la perra." Semeaste o teu amor e a tua generosidade também por esta terra! Por onde passas,a tua genuinidade marca quem te conheceu.
Sinto Buenos Aires de forma familiar e ao mesmo tempo intensa. Tudo é imenso, tudo é exagerado:a extenção das ruas, o mapa da cidade, as lojas, o calor,as avenidas, os autocarros, o trato afável das pessoas, como te respodem a uma pergunta tipo:
- "Que colectivo (entenda-se autocarro) pasa por Santelmo?",
- "Ahora me mataste!"
... é lindo e inarrável.
Amanhã acabar de tratar de coisas burocráticas e preparar tudo para ir Patagonear!!






